Plantas aquáticas para o paisagismo

Num projeto paisagístico a água valoriza o jardim por proporcionar movimento, promover efeito relaxante e refrescar o ar ambiente. A água é indispensável quando se quer elaborar uma paisagem interessante e saudável.

Espelhos d`água, cascatas, pequenos lagos, são recursos utilizados pelos paisagistas quando se que elaborar um projeto diferente e que dê ao cliente uma certa qualidade de vida. Porém sempre a água deve estar relacionada a algum elemento vegetal para dar um toque especial a paisagem.

Escolher as plantas não é tarefa fácil, requer paciência, estudo e talento. Seguem abaixo algumas dicas de plantas aquáticas flutuantes que podem ser utilizadas em projetos paisagísticos:

 

Aguapé (Eichhornia crassipes)

Da familia Pontederiaceae esta espécie é uma herbácea flutuante que possui flores azuis que surgem na primavera e verão. Este vegetal é nativo da América tropical. Esta aquática multiplica-se rapidamente, portanto requer manutenção constante dos lagos decorativos e aquários.

aguape Leia mais…

As cores do jardim

Você já reparou na quantidade de cores e formas que um simples jardim pode ter? Pois então olhe a sua volta e repare. Fazer um jardim bonito e harmônico não é tarefa fácil. A escolha das plantas ornamentais passa por um delicado processo que envolve combiná-las de acordo com suas cores. Misturar tons, cores, textura e aromas podem fazer a diferença em um projeto paisagístico.

Um bom paisagista não obedece a uma regra fixa e sim busca valores e técnicas que ajudam a observar a natureza de outro ângulo.

Como combinar as cores em um jardim? A disposição das plantas e suas cores é uma das principais preocupações na hora de fazer o projeto. Sempre que possível é bom ter em mente a tabela de cores na hora de escolher as plantas.

Nas figuras abaixo pode-se notar que existem as cores primárias (amarelo, laranja, vermelho, etc.) e as cores complementares e análogas. As cores complementares ficam uma de frente para outra (p.ex. verde e vermelho) e as cores análogas ficam uma ao lado da outra (vermelho e laranja, p. e.x).

Se você quer causar contrastes o uso das cores complementares deve ser realizado. Já se o objetivo não é criar tanto impacto e deixar o jardim mais leve e suave, o uso de cores análogas se torna interessante, pois estas cores são próximas umas das outras causando menor impacto visual. As cores quentes são visivelmente mais apelativas pois dão idéia de aproximação e ação, enquanto que as cores frias transmitem impressão de repouso e afastamento.

cor1cor2

Observar a sensação que as cores transmitem para as pessoas é tarefa que depende muito da sensibilidade do paisagista que monta o projeto. Não custa lembrar algumas sensações transmitidas pelas plantas com suas cores, vejamos:

Vermelho – Transmite força, vitalidade, calor, excitação. A cor vermelha também transmite a impressão de avanço ou proximidade para observador.

Violeta – Cor relacionada a espiritualidade, transmitem calma e repouso.

Verde – Inspira proteção, paz e harmonia, transmite equilíbrio.

Amarelo – Cor relacionada ao estímulo do raciocínio e a comunicação. Transmite a sensação de avanço moderado nos jardins.

Azul – Cor relacionada ao frio, frescor, paz. Ao contrário do vermelho e do amarelo provoca a sensação de recuo e distanciamento.

Branco – Cor relacionada a pureza.

Rosa – Cor relacionada a espiritualidade e também estimula relações afetivas.

Laranja – Cor que estimula o campo emocional ligado ao otimismo das pessoas.

Cabe ao bom paisagista equilibrar as cores no projeto a ser executado. Conhecer as espécies, suas flores e a época de florescimento é tarefa de fundamental importância na escolha das plantas em um projeto paisagístico.

Vermelho

Violeta / Roxo

Laranja

Amarelo

Azul

Rosa

Figura 19 – Mussaenda rosa (Mussaenda alicia)

Figura 19 – Mussaenda rosa (Mussaenda alicia)

Branco

Figura 20 – Jasmim-de-madagáscar (Stephanotis floribunda)

Figura 20 – Jasmim-de-madagáscar (Stephanotis floribunda)

Plantas Variegatas

Figura 21 – Pleomele (dracena reflexa)

Figura 21 – Pleomele (dracena reflexa)

Figura 22 – Barba-de-serpente (Liriope muscari)

Figura 22 – Barba-de-serpente (Liriope muscari)

 

 

 

 

 

 

 

 

Portanto, aproveite a diversidade de cores e formas da flora para criar belíssimos projetos!

Prof. Dr. Marcelo Vieira Ferraz é professor de Tecnologia, Floricultura e Paisagismo da UNESP-Registro-SP.

 

Plantas tóxicas no paisagismo

Diversas são as plantas ornamentais que são utilizadas em projetos paisagísticos, porém o que muita gente não sabe é que apesar da grande beleza muitas escondem princípios ativos que podem causar danos a saúde das pessoas. Neste artigo será divulgado as principais plantas ornamentais tóxicas existentes em nossos jardins, praças, parques e vasos.

As pessoas dão pouca atenção em seu dia a dia sobre os problemas que estas plantas ornamentais podem causar se ingeridas ou mesmo manuseadas de uma forma errada.

A FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz) pelo SINITOX (Sistema Nacional de Tóxico Farmacológicas) cita que 60% dos casos de intoxicação por plantas tóxicas no Brasil ocorrem com crianças menores de nove anos, e que 80% deles são acidentais. As principais plantas tóxicas utilizadas nos vasos e jardins são:

Família Araceae

A família Araceae traz três plantas que são muito utilizadas em vasos pelo Brasil,o Tinhorão (Caladium bicolor Vent.), a Comigo-Ninguém-Pode(Dieffenbachia picta Schott) e o Copo-de-Leite (Zantedeschia aethiopica Spreng.). Ambas apresentam todas as suas partes tóxicas. Tanto o Tinhorão (Caladium bicolor Vent.) como a Comigo-Ninguém-Pode (Dieffenbachia picta Schott) quando ingeridas ou em contato direto podem causar sensação de queimação, edema (inchaço) de boca e língua, diarréia, dificuldade na degluticação, vômitos e até asfixia.

Figura 1– Tinhorão

Figura 1– Tinhorão

Figura 2– Comigo-ninguém-pode

Figura 2– Comigo-ninguém-pode

O contato direto dos olhos com o com o Copo-de-Leite (Zantedeschia aethiopica Spreng.) pode provocar irritação e lesão da córnea. Esta planta é muito comum nos jardins em meia sombra, acompanhando muros, paredes e até mesmo margeando pequenos lagos, por isso, todo cuidado vale a pena.

Figura 3– Copo-de-leite

Figura 3– Copo-de-leite

Família Euphorbiaceae

O Bico-de-Papagaio (Euphorbia pulcherrima Willd.) também conhecido como Folha-de-Sangue é da família Euphorbiaceae sendo uma planta muito utilizada em vaso na época de Natal, mas pode também ser vista em jardins uma vez que este arbusto semilenhoso apresenta brácteas de grande beleza.

Esta planta apresenta todas as partes tóxicas. Deve-se tomar muito cuidado na hora de podá-lo já que o contato direto com o látex (a seiva leitosa) causa lesão na pele e mucosas, edema (inchaço) de lábios, boca e língua, dor em queimação e coceira; o contato com os olhos provoca irritação, lacrimejamento, edema (inchaço) das pálpebras e dificuldade de visão; a ingestão pode causar náuseas, vômitos e diarréia.

Figura 4– Bico-de-papagaio

Figura 4– Bico-de-papagaio

A Coroa-de-Cristo (Euphorbia milii L.) é muito comum como cerca-viva em função de seus espinhos que dão grande proteção. Esta planta tem todas suas partes tóxicas. O contato manual pode causar lesão na pele e mucosas, coceira intensa, queimação; o contato com os olhos provoca irritação, lacrimejamento, dificuldade de visão e edema nas pálpebras.

Figura 5– Coroa-de-cristo

Figura 5– Coroa-de-cristo

Família Apocynaceae

A espirradeira (Nerium oleander L.) é uma planta muito utilizada nos projetos paisagísticos pelo Brasil. Apresenta grande beleza, porém é uma planta muito tóxica podendo causar vômitos intensos, diarréias, tonturas e distúrbios cardíacos que podem levar a morte.

Figura 6– Espirradeira

Figura 6– Espirradeira

Famíla Verbenaceae

A lantana (Lantana camara L.) também conhecida como cambará apesar de sua grande beleza ornamental e utilização em projetos como cerca viva e formando intensos maciços floríferos apresenta as folhas tóxicas podendo causar diarréia, fraqueza e náuseas.

Figura 7– Lantana

Figura 7– Lantana

Existem outros arbustos e árvores tóxicas que são amplamente utilizadas em nossos jardins, praças e vasos. Neste artigo mostrei algumas destas plantas que podem perfeitamente ser introduzida em nossos jardins e vasos, desde que se tomem alguns cuidados. Aqui vão algumas dicas para reduzir ou mesmo impedir.

1) Deixar estas plantas longe do alcance de crianças e dos animais domésticos;

2) Conhecer as peculiaridades de cada plantas antes de fazer um projeto paisagístico;

3) Não preparar remédios, chás, loções sem orientação médica;

4) Não comer raízes, folhas e frutos desconhecidos;

5) Educar as crianças para não ingerir plantas ou mesmo brincar com aquelas que tenham látex;

6) Tomar cuidado ao podar as plantas que tenham látex. Usar neste caso os equipamentos de proteção individuais (EPIs) como luvas, óculos entre outros;

7) Em caso de acidente, procure imediatamente orientação médica e guarde a planta para identificação;

Para mais informações acesse o portal www.fiocruz.br/sinitox do SINITOX (Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas), que tem como principal atribuição coordenar o processo de coleta, compilação, análise e divulgação dos casos de intoxicação e envenenamento registrados no país.

 
Prof. Dr. Marcelo Vieira Ferraz é professor de Tecnologia, Floricultura e Paisagismo da UNESP-Registro-SP.

© 2017 Infograma

Web Design - Hsneto Comunicação